O comandante do Batalhão de Choque da PM (BPChoque), coronel Waldyr Soares
Filho, afirmou na tarde deste sábado (4) que a movimentação dos bombeiros e a invasão
do Quartel Central, no Centro do Rio, já podem ser considerados um motim. Se
qualificados neste crime, de acordo com o comandante, os bombeiros poderão pegar
de 3 a 8 anos de prisão, sendo que os líderes do movimento, podem ter a pena
agravada. E com isso, a punição pode chegar a 12
anos de detenção.
"O código disciplinar militar é rígido. Invasão de quartel é uma atitude
muito grave e está previsto no artigo 149 do Código Penal Militar", disse o
comandante.

Comandante do BPChoque sofreu fratura no
pulso
esquerdo e luxação no joelho (Foto: Alba Valéria
Mendonça/G1)
esquerdo e luxação no joelho (Foto: Alba Valéria
Mendonça/G1)
Com o pulso esquerdo fraturado e uma luxação no joelho esquerdo, em
consequência da invasão do quartel dos bombeiros, o comandante acompanhou o
trabalho de qualificação dos bombeiros presos na Corregedoria da PM, em Neves,
em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. À paisana, ele contou
como tudo aconteceu.
"Fui empurrado por um dos líderes da invasão. Como era a autoridade de
patente mais alta no quartel naquele momento, fui dar voz de prisão a ele. Ele
me empurrou, eu tentei agarrá-lo. Ele se desvencilhou de mim, enquanto eu torcia
o joelho. Logo depois, ele me empurrou de novo numa escada e, ao cair, quebrei o
pulso esquerdo", contou o comandante.
O coronel Waldyr Soares Filho deverá ficar engessado por pelo menos uma
semana, até que sejam feitos novos exames para que se constate se houve ou não
rompimento de ligamentos.
Bombeiros que invadiram QG da corporação estão presos em
Niterói (Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)
'Meu filho não é bandido', diz mãe de bombeiro preso
Famílias dos bombeiros presos neste sábado (4) após invadirem o quartel
central da corporação na noite de sexta (3) aguardam uma solução para o caso na
porta da Corregedoria da PM, para onde os manifestantes foram levados. Cerca de
25 pessoas ficam da grade do batalhão tentando ver a movimentação dos filhos e
maridos mantidos dentro dos ônibus no pátio da unidade. Um deles conseguiu sair
e tranquilizar a mãe, Marilu Fonseca, que ficou muito emocionada.
"Meu
filho não é bandido. Tem um monte de gente que faz greve e não é preso. Ele
é técnico em raio-x, trabalha na área médica. Ele estava no plantão e depois foi
lá para o quartel onde estavam os outros bombeiros. Ele não pode ser tratado
como bandido", disse a mulher, bastante emocionada.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o
governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que os bombeiros que invadiram o quartel
Central do Corpo de Bombeiros são "vândalos, irresponsáveis, que não irão de
forma alguma prejudicar a imagem de uma instituição tão respeitada e querida
pelo povo do Rio de Janeiro."
Segundo Cabral, os bombeiros "têm recebido um apoio jamais visto nas últimas
quatro décadas. Desde a existência do estado do Rio o Corpo de Bombeiros não vê
o número de equipamentos, de condições de trabalho, que recebeu nos últimos 4
anos e 5 meses do nosso governo," garantiu.
Troca de comando nos bombeiros
Após uma manhã de reuniões, o governador anunciou um novo comandante para o Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões assume a corporação no lugar do coronel Pedro Machado. Simões era comandante da Defesa Civil do município. O motivo da substituição, segundo Cabral, foi descontrole hierárquico.
Após uma manhã de reuniões, o governador anunciou um novo comandante para o Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões assume a corporação no lugar do coronel Pedro Machado. Simões era comandante da Defesa Civil do município. O motivo da substituição, segundo Cabral, foi descontrole hierárquico.
"Foram eventos completamente inaceitáveis do ponto de vista do estado de
direito democrático, do ponto de vista do que representa o respeito as
instituições, sem falar na própria hierarquia nessa instituição tão querida pelo
povo do Rio que é o Corpo de Bombeiros", continuou Cabral.
"Não há negociação com vândalos, eu não negocio com vândalos, eles
responderão administrativa e criminalmente" pela invasão do quartel Central,
garantiu o governador.
Cabral afirmou que há planos de aumento de salários já anunciados para os
bombeiros. "Há um programa de incremento salarial aprovado na Alerj, de R$ 2
mil, esse grupo ao final do ano já está atendido. Se não é ideal é o melhor da
historia da corporação."
Segundo Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM, o uso da força não era
interesse do governo. "Não nos interessava o uso da força, por isso tivemos uma
extensa negociação. (...) Nossa preocupação era muito grande com crianças e
mulheres. Aquele grupo dizia que iria reagir de toda forma possível a qualquer
ação nossa, então havia um cuidado muito grande. Havia notícia que havia arma de
fogo entre eles. A preocupação é de que alguns tivessem armas. Ouvimos alguns
disparos na madrugada. Apreendemos um bombeiro com uma pistola. Tinham armas
letais. Se essas armas foram levadas, vamos fazer apuração," disse.
Rotina normal
O Comando Geral do Corpo de Bombeiros garantiu no início da manhã que a rotina de atendimento à população do Rio está mantida, apesar das prisões dos bombeiros manifestantes.
O Comando Geral do Corpo de Bombeiros garantiu no início da manhã que a rotina de atendimento à população do Rio está mantida, apesar das prisões dos bombeiros manifestantes.
Os substitutos dos 439 bombeiros detidos já assumiram seus postos segundo
nota da divulgada, e postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, assim como
quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências (SAMU/GSE) e
serviços de socorro (combate a incêndios, salvamentos e desabamentos, etc) estão
operando normalmente.





Pascoal Monteiro e Cel. Mendonça vão debater com seus convidados, tudo que está acontecendo nos bastidores da campanha salarial pelo piso de 4 mil reais, para policiais e bombeiros militares.
