SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Juíza manda 'soltar' menores infratores caso Estado não forneça comida



Fonte: O Tempo

Os 75 adolescentes internos do Centro Socioeducativo Santa Lúcia, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, poderão ser liberados para cumprirem suas penas em sistema domiciliar, na manhã desta terça-feira (13), devido à falta de alimentação fornecida pelo governo de Minas Gerais. A informação foi divulgada na noite desta segunda-feira (12) pela juíza titular da Vara da Infância e Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, que convocou uma coletiva de última hora com a imprensa local. 
Segundo a magistrada, o problema de falta de alimentação vem acometendo a unidade socioeducativa da cidade desde março. "Nós conseguimos resolver o problema com interferência do desembargador Antônio dos Anjos. Vocês não ficaram sabendo, nem os meninos souberam que faltava comida. Mas a partir de julho começou de novo, a diretora da unidade já pagou no cartão de crédito particular a alimentação de fim de semana, porque avisaram às 19h que não tinha comida", denunciou a juíza. 

Desde o meio do ano, Maria Cecília teria avisado à Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) que, caso a alimentação dos internos não fosse normalizada, os adolescentes iriam para casa. "Até o momento não tive informação da Suase ter tomado providência. Vamos aguardar, quem sabe durante a noite eles transferem a alimentação para os meninos", completou durante a coletiva.
Ainda de acordo com a magistrada, os termos já estão assinados e serão entregues às 6h caso os adolescentes continuem sem comida. "Existe fiscalização por parte do judiciário. Os meninos ficarão em suas casas e só poderão sair se se sentirem mal, e mesmo assim acompanhados de um responsável", explicou Maria Cecília. 

A juíza finalizou a entrevista afirmando que, assim que o Centro Socioeducativo Santa Lúcia tiver condição de cumprir as medidas socioeducativas, os menores retornarão à internação. "Eles estão indo muito bem, estão se desenvolvendo como pessoas, para serem homens dignos e não caiam em varas criminais na maioridade. Mas se você interrompe esse tratamento, mesmo que por dois ou três dias, é uma perda para esses meninos", concluiu. 
A reportagem de O TEMPO tentou contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS), porém, ninguém foi localizado para comentar a decisão da juíza de Juiz de Fora.