SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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sábado, 10 de setembro de 2016

Por que as máscaras se é pela democracia?

A democracia não suporta a destruição, não suporta que a ordem que mantém a vida da sociedade possível seja quebrada por um grupo de insanos

Por Pedro Henrique

Gostaria de refletir com vocês sobre manifestação e democracia. Serão breves palavras que irão deixar mais perguntas do que respostas, mas que talvez nos levem a alguma breve conclusão ou a alguns apontamentos preciosos para o tempo atual.

Para ser o que pretende, isto é, um governo de decisões diretas e com participação ampla, a democracia (interpretada pela maioria como sendo o governo do povo, ou de todos) necessita de algum aparato de protesto digno, pacífico e justo, que gere bons resultados para a maioria. Estes resultados são: mudanças, propostas, plebiscitos, demonstrações de descontentamento, etc.

Tudo isso sendo muito sério e vívido, pois vem daquele corpo social que deve ser a palavra final num sistema democrático — o soberano, para usarmos a nomenclatura de Rousseau. Sendo assim, a manifestação e a democracia estão — e são — simbioticamente ligadas. Onde o povo não pode se manifestar dentro da ordem democrática e civil, este povo está sob um governo totalitário.

Agora, devemos nos perguntar se há um limite para o protesto. Podemos responder que não, mas antes de fazê-lo é bom que delimitemos os exageros. Protesto democrático não pode ser confundido com ato de vandalismos. Há literaturas políticas, como, por exemplo, as comunistas e anarquistas, que preveem a violência revolucionária como aparato sensato de um povo. Muitos dos seus simpatizantes os chamam de “protesto”, mas os sinceros sabem que não são democráticos.

Assim como os comunistas tradicionais confessam, e sinceramente expõem, suas revoluções serão com armas e de maneira violenta, de uma maneira nada democrática. Omodus operandi do anarquismo também não é democrático e nem pacífico, os sinceros anarquistas também confirmarão.

Pois bem, com essas considerações podemos analisar os manifestos pró-Dilma dos últimos dias. Vídeos na internet se virilizaram, notícias aos montes foram postadas e relatos pessoais dão conta de mostrar que os manifestantes partiram para o vandalismo. Propriedades públicas e privadas foram depredadas e ocorreram confrontos com a polícia que, ainda que chamada de fascista, agiu somente após os atos vândalos. Relatos em vídeos na internet dão conta de que a polícia agiu depois de vândalos terem destruído ou atacado algum patrimônio público, privado, ou algum policial.

Homens e mulheres mascarados, em busca de revolucionar o mundo, tentam, através de atos bandidos, angariar alguma consciência social. Na realidade, estão escondendo suas faces, pois sabem que o que estão fazendo são crimes. Temo que quem esconde o rosto numa manifestação mostra que suas atitudes não serão dignas de serem vistas. Buscam covardemente que suas máscaras sepultem suas feições frente aos atos sujos que irão praticar! Uma face ilibada não possui motivos para se esconder.

A verdade é que, se quiserem tomar atos vândalos como forma de “protestos”, assim o façam, mas que sejam sinceros. Não falem que é em nome da democracia, pois não é. Quando 3 milhões de pessoas foram às ruas, principalmente na Avenida Paulista, denominaram o ato de “golpe contra a democracia”. Quando um grupelho sai às ruas para depredar carros da polícia, pontos de ônibus, lojas e bancos, a isto chamarão de “ato pela democracia”?

Sejamos sensatos, se querem vandalizar, que ao menos sejam sinceros e assumam que não são democráticos os seus atos, que não é pela democracia. O que estes manifestantes querem é uma revolução totalitária comunista. Revolução comunista esta que todos nós sabemos que é pregada nos mais distintos diretórios partidários e nas salas de aula das universidades do país.

O que eu mais admiro no ser humano é sua capacidade de ser sincero quando confrontado com suas atitudes. O ato de assumir seus erros e reafirmar suas qualidades, se eles de fato são verdades, é uma dádiva da ética humana. O que não posso admitir é que chamem vandalismos e atos criminosos de “democracia”. Não são, nunca foram, nunca serão.

Nunca que a democracia se subordinará a atos mesquinhos que trazem prejuízos ao próprio povo, que é soberano. Enquanto uma ou duas centenas de pessoas quebram a cidade, no outro dia, é o trabalhador quem será prejudicado por esse momento de insanidade social de alguns; quando inviabilizam uma avenida com pneus queimados, quando destroem ônibus, quem pagará a conta, no fim, será o trabalhador que está indo para mais um dia de árduo trabalho para alcançar seus objetivos e pagar seus impostos.

A democracia não suporta a destruição, não suporta que a ordem que mantém a vida da sociedade possível seja quebrada por um grupo de insanos que quer salvar o mundo com suas ideias torpes e utópicas. A sociedade não é um jogo, a cidade não é um tubo de ensaio e os cidadãos não são ratos para testes de laboratório.

Quando alguém tenta quebrar a ordem vigente para impor a ordem do seu grupo, será a sociedade o fruto do abate. É o povo quem paga no final. Não devemos agir na sociedade como agimos num teste de vacina, quando as mortes de alguns animais são vistas como algum efeito colateral aceitável. Assim como afirmaram Hitler, Stalin, Mao Tse Tung e tantos outros que burlaram a ética e a moral para fazer de suas ideias uma nova ordem vigente, ordem de terror, assassinato e destruição.

O que estamos vendo pode ser classificado com vários adjetivos, mas nada com que se assemelhe com “democracia”. Não é democracia, e eles sabem que não é; sejam sinceros ao menos nisso!

Sociedade Pública