SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Não culpe os direitos humanos pela morte do PM, comandante



Um policial foi morto porque não tinha qualquer suporte quando abordou criminosos. Como é que o Estado se exime dessa conta?

Por Paulo Germano.

Estou há três dias tentando entender anota do coronel Alfeu Freitas, comandante-geral da Brigada Militar, divulgada após a trágica morte do soldado Luiz Carlos Gomes da Silva Filho.

Diz o texto de Freitas: 

As pessoas têm me perguntado se o PM não devia ter adotado uma postura mais agressiva, mais intimidatória na tarde de hoje. Eu acredito que sim. Mas sei que ele deixou de adotar essa postura em razão de todos aqueles que, de maneira imediatista, sem compreensão de todo o risco que se corre e de toda a complexidade que é um cenário de uma abordagem, de uma ação policial, julgam e condenam um Policial Militar, uma Instituição. A Brigadiana e o Brigadiano, esses profissionais que diariamente colocam suas vidas em risco pela de terceiros, e o fazem com uma tremenda responsabilidade e coragem, têm que analisar e decidir em segundos quando estão em um cenário complexo, contrário. O PM se preocupa com a vida e a integridade de terceiros. O PM se preocupa que seu ato se revista de toda a legalidade. O PM se preocupa em aguardar o momento certo para agir – se o momento certo chegar e ele tiver tempo de agir. O PM se preocupa em não ser julgado e condenado por um punhado de "especialistas" e de formadores de opinião. O PM se preocupa que, se errar, sim, ele será condenado. O PM se preocupa. Neste cenário, ele perdeu. Perdeu, mais uma vez, uma família. Perdeu, mais uma vez, a Instituição. Perdemos todos nós, pessoas do bem!! Ganhou a IMPUNIDADE, causa maior do crime alimentado pelas drogas. Certamente aqueles meliantes têm imensa ficha criminal. Ganhou também a HIPOCRISIA ao NÃO acreditarmos, muitos de nós, que um Policial Militar é muito mais bravo e valoroso do que qualquer herói. E muito mais digno e honrado do que qualquer um dos que o costumam, de pronto, condenar. Com estes, o PM se preocupa também. Talvez tenha sido este seu maior erro.

Coronel Alfeu Freitas Moreira
Comandante-geral da Brigada Militar"

Freitas passa a nota inteira bradando contra "especialistas" e "formadores de opinião" e afirma que, com a morte do policial na segunda-feira, quem ganhou foi "a hipocrisia". Ao final do texto, avalia que talvez o maior erro do policial assassinado tenha sido se preocupar com quem poderia criticar sua atuação.

Só um pouquinho. Pode-se discordar, pode-se até abominar os chamados defensores dos direitos humanos, tudo bem. Agora, se quando um policial morre em serviço – um policial que enfrentava sozinho um número maior de suspeitos, um policial que integrava uma tropa com déficit de 18 mil homens, um policial sem qualquer cobertura ou apoio no momento da abordagem, um policial com salários parcelados pelo governo do Estado –, se quando isso ocorre a grande preocupação do responsável pela tropa são eventuais críticas ao seu próprio comando, então temos um problema.

Quem foi que colocou Luiz Carlos Gomes da Silva Filho, um soldado de 29 anos, naquela situação de risco absoluto, sozinho e sem suporte algum? Foram os defensores dos direitos humanos? Não teriam sido o governo atual – que o coronel Freitas representa – e também os anteriores, todos responsáveis pela degradação ultrajante das forças policiais do Estado, que padecem justamente com falta de pessoal, de equipamentos, de salário e de armamento?

O vídeo que mostra a abordagem do PM aos criminosos que tirariam sua vida é aterrador. Luiz Carlos gesticula com valentia, aponta para um suspeito enquanto monitora outro, não deixa os bandidos sumirem do seu campo de visão, emana coragem e confiança, parece se preocupar até com o trânsito. Após 20 segundos vendo aquilo, pouco antes de ele ser alvejado na cabeça, pensei: "Esse cara é um herói".

Está errado.

Por que ele deveria agir como herói? Por que não poderia exercer seu trabalho com um pingo de tranquilidade, de salvaguarda daqueles que o contrataram? Não é possível que um episódio como esse não provoque uma autocrítica em quem deveria fazê-la. Posso até compreender, coronel Freitas, sua reprovação aos defensores dos direitos humanos, mas essa conta não é deles. O senhor sabe de quem é.

https://www.google.com.br/amp/am.zerohora.com.br/amp/6429239/nao-culpe-os-direitos-humanos-pela-morte-do-pm-comandante?client=ms-android-motorola

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