SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"Quem sentirá a dor de um policial?"



Neste número quero focalizar a furtiva condolência de vários setores sociais, administrativos, pessoais e hierárquicos havida para com o policial.

Desde que existem seres humanos sobre a terra, criticar sempre foi mais fácil; desdenhar sempre foi mais cômodo e censurar os que lutam por uma causa nobre sempre foi o ponto forte dos incapazes e a arma dos inúteis, sem contudo saberem do alto grau nutritivo profissional que traz a visão do bom trabalho. Mas quem sentirá a dor de um policial? O cidadão comum, que pensa que, pelo fato de pagar seus impostos, tem a credencial da crítica e da exigência e esquece que o policial paga o mesmo imposto. Pensa que é tal fato suficiente para estar assegurado e esquece que o policial também necessita da mesma segurança. Pensa que é suficiente para que o policial se exponha à mira ou à perseguição do marginal, da cólera ou ardil do delinquente e esquece que um policial está "entre a cruz e a espada" quando do exercício pleno da função, pois afinal, de um lado está a sociedade defendida e de outro a sociedade atacada, isto por que a agremiação dos meliantes é também uma sociedade, em que pese ser um covil de feras humanas.

Quem sentirá a dor de um policial?
O Superior que não reconhece o trabalho do subordinado; que enquanto repousa, seu policial está na campana, na investigação, na viagem ou até no hospital combalido pelo resultado do trabalho exigido pela sociedade, ou até mesmo pela neurose oriunda da perseguição.

Quem sentirá a dor de um policial?
O político, que faz da tribuna o patamar de onde possa descaracterizar e desqualificar a virtude profissional e encontrar um artigo para propugnar seus interesses, ascender às custas dos incautos e postular níveis salientes muitas vezes sendo menos capaz do que o criticado que labuta resoluto pela segurança do próprio crítico que faz da tribuna legislativa o palco da murmuração e nunca a defesa do trabalho árduo, perigoso e funesto do policial.

Quem sentirá a dor de um policial?
O repórter que, levado pelo espírito de sensacionalismo, dissemina irreversíveis injúrias capazes de inverter o comportamento do policial e do delinquente, fazendo do segundo o primeiro e do primeiro o segundo, dando sempre ao marginal o direito de escolha, de atirar primeiro e achar que para si é melhor a vida sem honra, enquanto o policial agora dorme o sono da honra sem vida...

Quem sentirá a dor de um policial?
A administração pública, através de seus Diplomas Legais, a exemplo do próprio estatuto dos funcionários públicos civis do Paraná, que em seu artigo 279 estabelece todos os deveres do funcionário, esquecendo que o policial tem mais do que isso, pois tem também as imposições do artigo 210 da lei complementar (...) (...) e quando é vítima do item IV do artigo 213, nunca consegue provar ato involuntário, mas é sempre encarado como relapso, incompetente ou mal intencionado, passando a responder procedimentos que lhes privam de promoções, de continuidade do local de trabalho, onde possui perfeito ambiente, reduz seus vencimentos e ofusca sua urbanidade, e quando consegue provar que não fora intencional, é tarde, pois é como a lama que, após seca, cai da parede e deixa sua mancha.

Se olharmos atentamente, veremos e sentiremos que a lei é feita para santos e não para policial, pois o funcionário que safar-se dos implicatórios artigos, itens e letras não deverá apenas receber ou ser agraciado com medalhas de ouro, mas canonizado.
Rogamos para que os escalões superiores tenham, para com seus subordinados, mais apreço, pois sabemos que o trabalho dignifica o homem, mas não pode danificar o policial.
Vicente Goulart, escrivão de polícia
Curitiba, outubro de 1984.

FONTE : polciapelapazesegurana