SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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sábado, 5 de novembro de 2016

Texto emocionante de Lilian Pacheco, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, sobre a tragédia em Mariana.


"Quando sobrevoamos o distrito de Bento Rodrigues parecia um filme do fim do mundo"
Seria apenas mais uma tarde de plantão na sede do Pelotão de Busca e Salvamento (PBS), em Belo Horizonte, mas quando o telefone tocou no último dia 5, os militares não imaginavam que seriam protagonistas de uma das ocorrências mais complexas já vivenciadas pela Unidade. O rompimento de uma barragem, em Mariana, na região Central, testa limites, mede resistências, aperfeiçoa técnicas e mostra que a qualificação de nossos homens está mesmo a toda prova.
Assim que receberam o pedido de apoio vindo do 1º Batalhão, unidade responsável pela região atingida, foi acionado o Plano de Chamada e, em menos de 20 minutos, mais de 20 bombeiros do PBS, inclusive os que estavam de folga, se reuniram na sede do Pelotão prontos para o que seria uma das ocorrências que vai marcar a história da Unidade que é um dos braços operacionais do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres (BEMAD), criado em 2013.
Ali começava uma verdadeira operação de guerra por terra e pelo ar. Embarcados em dois helicópteros, Pégasus, da PMMG e Carcará, da Polícia Civil, os militares foram levados até a sede da mineradora Samarco, a 27 Km de Mariana enquanto viaturas seguiam por terra levando materiais e equipamentos. Pelo rádio, eles já sabiam a dimensão da tragédia e que a onda de lama havia destruído toda uma cidade. De acordo com o comandante do PBS, Tenente Farah, dentro da aeronave o sentimento era de muita apreensão. “Quando sobrevoamos o distrito de Bento Rodrigues parecia um filme do fim do mundo. Pedi para que a aeronave não pousasse na cidade que já estava destruída e sim que acompanhasse o "tsunami" de lama que descia o rio. Era algo cinematográfico, onde a onda passava, arrancava eucaliptos inteiros, levantava uma névoa de poeira e destruía tudo que via pela frente com uma rapidez impressionante. levava vários carros e casas inteiras”, conta.
Diante do cenário de terror, uma esperança. Ao sobrevoarem o distrito de Paracatu de Baixo, a 60 Km de Bento Rodrigues, a equipe percebeu que em breve, a lama chegaria até o local. Eram poucos minutos para salvar muitas vidas, uma operação arriscada, inerente a quem presta o juramento de estar sempre pronto a ajudar. Um desafio para quem se especializou em desmoronamentos e soterramentos. Para a população,a ajuda que chegou no momento certo. A aeronave pousou em um descampado e, lá em baixo, os pedidos de ajuda da população que se aglomerava às margens do rio confiando que o socorro estava perto.
Ajuda
Todos os moradores foram levados para o ponto mais alto da cidade, ironicamente, um cemitério. Enquanto isso, o perigo se aproximava a uma velocidade impressionante. “Foi uma cena terrível, quando gritamos que a barragem havia rompido o sorriso no rosto das crianças deu lugar ao choro e ao desespero. Saímos apitando, invadindo as casas e retirando as pessoas. Carregávamos criança e idosos até pontos mais altos, colocamos mais de oito pessoas em um só carro. Confesso que pela primeira vez em 11 anos como bombeiro senti um nó na garganta achando que não daria tempo de sairmos de lá. Pensei muito em Deus e pedi que Ele nos iluminasse e que conseguíssemos retirar o maior número de pessoas possível daquele lugar para evitar uma tragédia maior”, conta o Tenente Farah.
Em pouco tempo, a nuvem de poeira começou a ser visualizada. Rapidamente, todos os militares embarcaram novamente para tentar avisar alguma outra cidade ou chamar ajuda para outra que poderia ser atingida. Mas tiveram que voltar com a aeronave, devido ao pôr do sol que não permitiria o voo. Decidiram, então, ir para Bento Rodrigues para ajudar a procurar os desaparecidos.
A recompensa veio no dia seguinte. Mais de 200 pessoas salvas graças à ação de bombeiros, apoiados pelos pilotos da PMMG. Um sentimento difícil de descrever, conta o Sargento Faria. “A cidade acabou e graças a Deus nenhum desaparecido ou ferido. Não há reconhecimento melhor que esse”, comemora. Para o Tenente Farah, é impossível descrever o sentimento pela atuação bem sucedida. “Não tivemos tempo para comemorar. Antes de descer da aeronave pedi ajuda a Deus. Depois, só tivemos tempo de agradecer por Ele nos tornar instrumento da Sua vontade e por nos fazer honrar nosso lema: 'A vontade acima da possibilidade', finaliza.
(Participaram desse Salvamento o Major PM Alex Chinelato, o cap PM marcfelo Ribeiro Vilas Boa, Tenente Leonard Farah, o Sargento Wesley Faria, o Sargento William Tristão e o Cabo Henrique Santos Perpétuo).
Foto: Marcelo Sant'Anna - Imprensa MG

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