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SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE MILITARES DO INTERIOR DE MINAS GERAIS!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Luiz Tito Panela grande


Policiais militares de Estados brasileiros paralisaram suas atividades na semana passada, protestando por melhores condições de trabalho e de salários; no Rio de Janeiro, especialmente, militares reclamavam o pagamento de salários atrasados, inclusive o 13º, não pagos pelo governo. O Rio de Janeiro – que nas últimas semanas demonstrou o apetite e a cara de pau com que vários de seus governantes incrementaram suas contas bancárias e seu patrimônio com propinas de fornecedores e empreiteiros e ainda pelo escancarado desvio de recursos do erário – não pagar salários ou parcelar seu pagamento é inaceitável e nojento, claro.

Cifras milionárias foram desviadas para contas de centenas de políticos e de seus familiares, movimentadas em paraísos fiscais ou investidas na compra de joias, fazendas, barcos, aeronaves e apartamentos em condomínios de luxo. Criminoso porque é dinheiro da corrupção, e muito mais grave porque são recursos desviados de um orçamento que não consegue atender as demandas mais elementares do poder público, que são a educação, a saúde e a segurança de razoável qualidade.

No Espírito Santo, protestavam os policiais militares por melhores salários e condições de trabalho, num momento em que não há recursos para nada. Para a porta dos batalhões foram esposas, filhos e mães dos policiais, para, mentirosamente, impedir que esses saíssem para as ruas. Uma ridícula encenação, num momento em que vagabundos saqueavam lojas, levando na cabeça eletrodomésticos, roupas e tudo que vissem pela frente e que fosse passível de ser carregado. Quase 200 pessoas foram mortas pela ausência de policiamento nas ruas.

Em meio a tudo isso, um tenente-coronel de nome Alexandre Quintino apoiava a greve de seus subordinados em entrevista mostrada por um jornal da Rede Globo. Em alto e bom tom, ele disse para a apresentadora: “Débora, minha panela está vazia”. O salário desse militar, que ainda não está no topo da carreira, que se aposentará com qualquer idade, com 25 anos de trabalho e vencimentos integrais, é hoje de R$ 19.654,76. Que tamanho tem a panela desse senhor?

Justificam os policiais civis e militares que, ganhando o que ganham, não têm garantia de voltar para casa depois de um dia de trabalho. Ninguém tem. Motoristas e trocadores de ônibus, e até passageiros, também não; professores são afrontados por alunos armados de facas e revólveres nas salas de aula; médicos, enfermeiros e atendentes dos postos de saúde convivem com ameaças de morte no seu dia a dia. Caixas, frentistas de postos de gasolina, taxistas e muitos outros trabalhadores têm sobre suas cabeças a espada da insegurança.

Nenhum mortal sabe, caríssimos, se voltará para o lanche da tarde em sua casa. Porque, muitas vezes, falta policiamento ou ele é ineficiente, ou pouco estratégico, ou pouco inteligente, como muitas vezes sentimos. Culpa de quem? Não é do cidadão de bem, não é da sociedade, que paga impostos para ter esses serviços, especialmente o de segurança pública, que é responsabilidade indelegável e dever permanente do Estado. Policiais são agentes dessas responsabilidades. Por dever legal. Não é favor.