SOLUÇÃO EMPRÉSTIMOS

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

População é contrária ao fechamento de companhias da PM


Comandante do policiamento na capital diz que companhias serão mantidas por mais 90 dias para reavaliação.

A proposta de reestruturação do policiamento ostensivo em Belo Horizonte, com fechamento de 11 companhias que compõem os oito batalhões da Polícia Militar (PMMG) da capital, foi feito a partir de projeto que leva em consideração as estatísticas da corporação. Foi essa a afirmação do Cel. PM Winston Coelho Costa, comandante do policiamento da capital, em audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na reunião, realizada na noite desta quarta-feira (12/7/17), associações comunitárias se manifestaram contrárias à proposta e foi anunciado que o fechamento das companhias será adiado enquanto as demais mudanças são experimentadas.

De acordo com Cel. PM Winston Coelho Costa, 33% dos registros criminais de Minas Gerais estão em Belo Horizonte, que é atendida por 4.800 policiais. Segundo ele, as mudanças pretendem aumentar a capilaridade da polícia. “Não podemos atender somente quem mora perto do batalhão”, disse. Ele afirmou que já foram estabelecidos 99 setores no município, 13 deles em vilas e favelas, já atendidos pelo Grupo de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar). Os demais serão policiados por bases móveis, com vans que ficarão estacionadas em locais estratégicos, e mais 172 motocicletas que atenderão as ocorrências.

O coronel afirmou que os batalhões que serão fechados significarão redução de pessoal administrativo para aumentar efetivo na rua. Ela disse, ainda, que algumas dessas companhias estão muito próximas das sedes dos batalhões e, portanto, a estrutura física continuaria ativa. Uma das maiores críticas à proposta é que as bases móveis não funcionarão nas madrugadas entre 0h e 6h, mas o representante da PMMG disse que menos de 10% das ocorrências acontecem nesse horário. Ele disse, ainda, que a maioria das ocorrências chega à Polícia pelo telefone e não pela estrutura física, que seria responsável por apenas dois atendimentos diários em média.

Comunidades, representantes de classe e deputados se posiconam contrários

Os representantes comunitários presentes se mostraram descontentes com as medidas. Entre as reclamações se destacaram questionamentos sobre os dados apresentados pelo coronel. Os presentes salientaram que as estatísticas incluíam todos os tipos de ocorrências, como batidas de trânsito, e a preocupação maior é com atos de violência, que deveriam, na percepção dos presentes, ter sido apresentados separadamente. Outra insatisfação apresentada foi sobre a falta de diálogo. Eles cobraram mais debates sobre a proposta e consultas públicas à população.

Também estiveram presentes representantes de militares. O posicionamento deles também foi contrário à nova estrutura de policiamento proposta. O presidente da Associação dos Praça Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (ASPRA-PM/BH), Sgt. PM Marco Antônio Bahia, disse que o modelo é usado em países com baixos índices de criminalidade e que não é adequado ao Brasil. Ele disse, ainda, que cerca de pelo menos 4 mil policiais deverão se aposentar ao longo de um ano e que a proposta de reestruturação pretende esconder esse problema.

O deputado Sargento Rodrigues (PDT), presidente da comissão, explicou que a atual estrutura levou anos para ser desenvolvida. “A Polícia Militar se aproximava do modelo de infantaria e depois se aproximou da comunidade, o que é mais adequado ao serviço de policiamento. Assim, se aproximou da população e ganhou cada vez mais apoio”, disse explicando que a nova proposta vai retroceder nesse modelo. Ele afirmou, ainda, que os militares estão com medo de se manifestar contrariamente à proposta por medo de receberem punições internas. Para ele, as bases móveis deixarão os policiais mais vulneráveis a ataques. Ele citou, ainda, proposta anunciada do governo estadual de ouvir a população e dividir com ela as decisões e reforçou que a população não é favorável às mudanças.

O deputado João Leite (PSDB) também questionou o modelo e lembrou homicídio recente de policial no município de Santa Margarida. Para ele, a proposta vai deixar policiais expostos a situações como essa. O deputado Fred Costa (PEN) salientou que a população está com medo de sair de casa por causa dos índices de violência. O deputado João Vítor Xavier (PSDB) lembrou dos antigos Postos de Observação e Vigilância (POV), agora abandonados. “É aquele disco voador que ainda está em algumas esquinas. Já viraram motel e pontos de tráfico de drogas, é uma desmoralização do Estado”, disse.

Por fim, o deputado Cabo Júlio (PMDB) sugeriu que as companhias não sejam fechadas imediatamente conforme previsão para que a proposta seja melhor avaliada. “A população não está convencida de que as soluções são positivas, então vamos fazer as demais mudanças e manter as companhias por, pelo menos, mais 90 dias para reavaliarmos”, sugeriu. Segundo os cidadãos e o coronel da PM presente, essa sugestão já havia sido feita e já foi aceita pelo comando da corporação.

Assembléia de Minas Gerais